Meu Olhar sobre o CASACOR 2025, no Rio de Janeiro.
- ELIANE VALENTIM
- 24 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Uma leitura crítica de algumas imagens da CASACOR 2025 revela um momento de inflexão importante no design de interiores brasileiro. Não se trata apenas de tendências formais, mas de uma revisão profunda do papel do espaço, dos materiais e da própria ideia de morar.
O primeiro aspecto que salta aos olhos é a revalorização do vazio e da permeabilidade. Brises, cobogós contemporâneos, estantes vazadas e painéis modulares deixam de ser elementos decorativos e passam a atuar como mediadores espaciais. Eles filtram a luz, o olhar e o movimento, criando ambientes que não se fecham completamente, mas também não se expõem em excesso. Há aqui uma resposta clara à saturação visual dos últimos anos: o luxo agora está no respiro, na pausa, no intervalo entre um objeto e outro.
Outro ponto central é o retorno da materialidade honesta, com protagonismo absoluto da madeira em tons naturais, das pedras brutas ou suavemente lapidadas, das cerâmicas artesanais e das superfícies texturizadas. Nada parece excessivamente polido ou artificial. Ao contrário, imperfeições, veios, poros e marcas do tempo são assumidos como parte da narrativa do espaço. Esse movimento aponta para um design mais sensorial e menos imagético — feito para ser vivido, tocado e habitado, não apenas fotografado.
As estantes e marcenarias ganham um papel quase arquitetônico. Elas deixam de ser simples suportes para objetos e se tornam estruturas de ritmo, repetição e modularidade, muitas vezes inspiradas em elementos construtivos vernaculares. O que antes era parede agora é filtro; o que antes era móvel agora é paisagem interna. Essa fusão entre arquitetura e mobiliário reforça uma tendência de projetos mais integrados, onde os limites tradicionais se dissolvem.
A iluminação, por sua vez, assume uma postura mais cênica e contida. Predomina a luz indireta, quente, embutida, quase invisível. Ela não busca protagonismo, mas cria atmosfera, profundidade e sombra — elementos essenciais para a sensação de acolhimento. A luz deixa de “mostrar tudo” e passa a sugerir, valorizando volumes, nichos e texturas.
Por fim, talvez a mensagem mais forte da CASACOR 2025 seja a de um design menos performático e mais introspectivo. Os ambientes parecem convidar ao recolhimento, à contemplação e à permanência. Há menos espetáculo e mais silêncio. Menos tendência instantânea e mais desejo de permanência. Em um mundo acelerado, o design responde com espaços que desaceleram — e essa, sem dúvida, é uma das leituras mais potentes desta edição.
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Fotos por Eliane Valentín.






























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